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09 jan

Milho: área plantada em Goiás cresce 25% na primeira safra

Com clima e preços colaborando, produtores do estado têm investido no grão e já o veem como boa opção para a temporada de inverno de 2019

A área plantada com milho em Goiás cresceu 25% na primeira safra, apontam dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A expectativa de produtividade média é de 133 sacas por hectare. De acordo com o consultor técnico da Federação da Agricultura de Goiás (Faeg), Pedro Arantes, se não houver nenhum problema de veranico, a produção deve atingir 2 milhões de toneladas.

Além das boas condições do clima, a cotação da saca também favoreceu a expansão das áreas de milho. “Quando o produtor tomou a decisão de plantar, os preços ainda estavam muito bons, em torno de R$ 29 e R$ 30. Caiu um pouco, mas ainda é um preço que remunera”, explica Arantes.

Segundo o analista de mercados e gerente de Produtos Agropecuários da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Thomé Guth, a conjuntura para o milho é preocupante em relação ao preço. A expectativa é de que a área cultivada com o grão na segunda safra aumente e ultrapasse as 90 milhões de toneladas na temporada 2018/2019. Com produção e estoques em alta, o valor da saca já fica pressionado. Mas questões como o tabelamento do frete e uma possível queda do dólar, com o andamento de reformas do novo governo, podem baixar ainda mais a remuneração ao agricultor brasileiro.

Guth, entrevistado do programa Direto ao Ponto, deu o exemplo de Mato Grosso, onde a saca de 60 kg de milho é comercializada entre R$ 19 e R$ 20 atualmente, mas com projeção de R$ 16 para o segundo trimestre de 2019, abaixo do preço mínimo para o ano.

Além do cenário nacional, as boas safras nos principais países produtores mundiais também pressionam o mercado. “Estamos vindo de uma safra cheia nos Estados Unidos, Argentina e Ucrânia. No Brasil, a expectativa de safra boa, fala-se em 90,5 milhões de toneladas, o que pode ser ajustado e ainda ser maior. Se for maior, vamos ter que exportar pelo menos 30 milhões de toneladas e vai virar estoque alto”, diz o analista.

Dois pontos são determinantes na conjuntura do mercado de milho, segundo ele: o impacto da tabela de fretes no preço do grão e a variação cambial. “O tabelamento de frete pesa muito sobre preços internos, e hoje temos questão cambial. Dependendo do novo governo, da reforma da Previdência, se o mercado entender que isso vai começa a andar, naturalmente vamos ver o dólar cair e aí afeta muito. A paridade de exportação fica mais baixa, há o peso do frete e tem uma sistemática de estoque alto e pressão sobre os preços”, afirma Guth. A orientação do analista para o produtor é não perder oportunidades de negociação quando houver rentabilidade.

Com um olho no mercado e outro na reestruturação do solo, o produtor Rafael Minetto destinou 175 hectares da propriedade em Cristalina para o milho primeira safra. Para a segunda, ele pretende triplicar a área da cultura. “A expectativa é boa, porque tem previsão de que as chuvas vão ser boas no final de janeiro e início de fevereiro”, declara. Os produtores da região também estão atentos às lavouras do Sul do país. Se as perdas com a soja por causa da estiagem se confirmarem, os agricultores, principalmente os gaúchos, tendem a investir no milho.

Fonte: Canal Rural


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